terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

para os 1 anos do colégio Porto Seguro

para os 1 anos do colégio Porto Seguro

iremos começar a conversar sobre Mito (pensando na mitologia grega)
Mito
O mito é um tema muito discutido na história do ocidente. Na filosofia Empédocles já criticava os mitos que os poetas faziam. Platão (Íon, Protágoras, República, entre outros) e Aristóteles (Poética) também falaram sobre poesia e mitologia. Atualmente muitos falam sobre o mito, talvez o mais famoso seja Joseph Campbell em O poder do mito. Mas há outros, como o Marcelo Pimenta Marques, José Lins Brandão, Laymert Garcia, entre outros.[1] Por isso, não vou apresentar todas as visões sobre o assunto, também não vou tentar sintetizá-las, nem tão pouco hierarquizá-las. Vou apenas falar o que penso que irão cobrar de vocês nos vestibulares e provas. Irei discutir um pouco essa concepção e apresentar algumas reflexões que julgo ser importante para todos nos quando discutimos o mito ou os mitos.
Uma coisa importante é que fala-se da passagem do mito para o logos na Grécia clássica. Por algum motivo surgiu a filosofia, que por sua vez permitiu a existência da ciência. Esta filosofia nasceu na Grécia. Haveria alguma coisa na Grécia de especial para possibilitar o surgimento da filosofia? Eles viviam de maneira diferente de outros povos? Sua mitologia é diferente da mitologia de outros povos?
Pensando nisso, vamos pensar na seguintes dicotomias:
Mito                                     X                             filosofia
Poeta                                                                  filósofo
Rei                                                                        político
Rural                                                                    urbano (comercial)
Oral                                                                      escrito
Tradicional                                                         ‘moderno’
Essas dicotomias inicias podem ajudar-nos a pensar algumas implicações acerca da primeira dicotomia. Pensemos inicialmente a diferença entre cada um deles a partir deles próprios, ou seja, o que um rei acha de um político e um político acha de um rei, o que alguém que vive na cidade acha de alguém que vive no campo, o que um filósofo acha de um poeta e um poeta acha de um filósofo. No caso da filosofia e da poesia podemos fazer o seguinte esquema:
Da Poesia                                Filosofia
Da Poesia                                Poesia
Da Filosofia                            Poesia
Da Filosofia                            Filosofia
Mas vamos discutir um pouco a mitologia grega, mas antes vamos (com o auxilio dos antropólogos) desmembrar a palavra mito:

                                                                              Mito

                               Poesia                                  ritos                      história
                                                              
Rituais normas religiosas            acontecida         inventada
No link anterior
http://www.umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2016/02/nascimentos-da-filosofia.html
Falo um pouco sobre algumas características da mitologia grega, mas vale a pena lermos os poetas gregos: Homero, Hesíodo, os Líricos, os Trágicos. E também os comentadores, Vernant.
Há uma concepção de mito que acho importante: o mito apresenta uma estrutura social. Ele revela (apresenta) algo que é comum, algo que se repete. Por exemplo, entre os mitos africanos há o mito do pescador que foi seduzido pela Iemanjá. Eles deitaram-se no fundo do mar e como ele é mortal, não conseguiu sobreviver. Algo desse mito me parece interessante: para quem vive próximo ao mar ele pode ser um mito legítimo, ou seja, ele pode ter vivido situações que o mito buscou representar. Quem, porém não mora próximo ao litoral pode não ter vivido nenhuma situação que o mito represente. Assim, para este o mito não passa de literatura. Porém, se este for morar próximo ao mar? Talvez o mito faça sentido.
Penso que esta distinção é importante: há muitos mitos de muitos povos, o que precisamos saber é qual ou quais mitos regem (conduzem) a nossa vida. Quais coisas repetem-se em nossas vidas e que foram representadas por histórias?
Faça essa ‘pesquisa’ com seus familiares.
Procure também algum lugar mais afastado da área urbana da sua cidade e conversa com as pessoas desse lugar. Quais são suas histórias?
Para quem quiser pesquisar mais, segue links na internet. Destaco os dois primeiros:
palestra com Trajano vieira no 8º Ciclo | Obras-primas da literatura universal: Poesia e heroísmo na Ilíada. https://www.youtube.com/watch?v=fYgU5-cD8X8
https://www.youtube.com/watch?v=PSsOftFgIxM
Oralidade, escrita e literatura. Havelock e os gregos. Resenha feita por jacyntho Lins Brandão http://www.revistas.usp.br/ls/article/viewFile/16021/17591
http://greciantiga.org/
http://www.perseus.tufts.edu/hopper/
https://www.academia.edu/10017963/Hist%C3%B3ria_Antiga_na_Sala_de_Aula
http://marquess56.blogspot.com.br/
http://150.164.100.248/jlinsbrandao/
http://filosofiantigaufmg.blogspot.com.br/
http://www.noesisfilosofia.com.br/
http://www.classica.org.br/
https://www.youtube.com/watch?v=fYgU5-cD8X8
https://www.youtube.com/watch?v=PSsOftFgIxM
http://culturabrasil.cmais.com.br/programas/supertonica/arquivo/literatura-grega-por-trajano-vieira
http://www.revistas.usp.br/ls/article/viewFile/16021/17591





[1] https://www.youtube.com/watch?v=EqYdfpvln04
https://www.youtube.com/watch?v=F523PsJGG_I

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

nascimento da filosofia

Aula para concurso de história da filosofia antiga em jacarezinho
nascimento da filosofia

Objetivo geral: Apresentar os principais problemas relacionados aos primeiros filósofos

Introdução: Por que ainda estudar os primeiros filósofos e a Grécia antiga?
- porque eles são referencias para os filósofos posteriores, como Platão e Aristóteles;
- porque o conhecimento sobre eles foi, é e provavelmente continuará a ser disputado pelos filósofos e comentadores mais próximos a nós;

1 - Primeiro problema: Oposição:  Mito X Razão ou Filosofia X Poesia
Está oposição coloco o problema de interpretação, ou melhor, de onde estamos analisando:
Da Poesia                    Filosofia
Da Poesia                    Poesia
Da Filosofia                Poesia
Da Filosofia                Filosofia
Porém no surgimento destas palavras, mithos e logos, a oposição não era tão marcante, na verdade a duas palavras podem ser traduzidas como palavra, discurso, assim, é preciso verificar como ocorreu esta oposição na história dos textos.

2 - Caracterização preliminar e introdutória da poesia:
O poeta é inspirado, insuflado pelos deuses. Tudo que ele fala é dos deuses. Tudo é divino, as ações humanas, a natureza. O poeta não é questionado. O poeta possui relação com os reis. A cultura grega é oral. Houve um momento onde, na Grécia os reis perderam o poder e assim também o que dizia os poetas deixou de ser propriedade dos reis, passou a ser público. Nos termos de Vernant, o rito se separou do mito. Isso possibilitou  uma maior liberdade da parte dos poetas.

3 - Transição entre a poesia e a filosofia:
Os chamados poetas líricos, principalmente Simônides.
Os sofistas, principalmente Protágoras e Górgias.

4 – primeiros filósofos

Tales, Empédocles, Xenófanes, Parménides e Heráclito

Como era a academia de filosofia de Platão?

Como era a academia de filosofia de Platão?

Essa pergunta, por falta de dados históricos, nunca foi respondida. Por isso, vamos fazer um exercício de reconstrução a partir dos textos que temos. A pergunta é: como Platão ensinava filosofia na sua Academia? Como os alunos aprendiam? As técnicas usadas por Platão para conseguir transmitir a filosofia de Sócrates e também a sua, se é que ainda elas merecem esse nome, são passíveis de serem usadas ainda hoje?
Os alunos de Platão só começavam a estudar filosofia depois de já 'dominarem' as 'disciplinas' básicas da formação de um cidadão ateniense. Essas disciplinas eram: geometria, aritmética, música, astronomia, ginástica, poesia e sofística (retórica). Principalmente poesia, pois sem ela os helênicos não falariam grego. Após este aprendizado básico onde os alunos ficavam 'cansados' de tanto estudá-las a ponto de não agüentarem mais (Protágoras), procuravam os sofistas para aprender: a interpretar os poemas,(Protágoras e Hípias Maior) a administrar sua casa e a cidade, (Protágoras) construir discursos para ser pronunciados na Ágora. (Alcebíades). Só depois de terem aulas com os sofistas, os jovens atenienses poderiam almejar uma vaga na 'academia' de filosofia de Platão.
Mas o que eles estudavam na academia?

A primeira ‘leitura’ obrigatória era Homero. Quando todos já ‘dominavam’ o ‘texto’ Homérico podiam estudar a sua 'lógica'. De dois modos, tanto o conteúdo quanto a forma, ou seja, estudava-se aquilo que Homero dizia e o modo como ele dizia (Hípias Menor). Isto era reproduzido para os outros poetas, como Hesíodo, Simônides e Píndaro. Mas o estudo não ficava por ai, eles faziam exercícios, como se eles próprios fossem poetas, para verificar se de fato tinham aprendido a lição. Esta prática, isto é, se transmutar no seu objeto de estudo era reproduzido para outras áreas do saber, como geometria, aritmética, astronomia, medicina, religião. Assim, eles estudavam todos os matemáticos e o uso que faziam de sua arte. Estudavam todas as músicas e os efeitos delas nos gregos. Estudavam todas as tragédias e comédias, e também compunham para mostrar ao mestre Eurípides. Estudavam a medicina para saber como funciona o corpo humano. Estudavam todas as atividades corporais (ginástica) para saber qual o limite de um corpo saudável. Estudavam todas as religiões para saber como funciona a alma humana e sua ligação com o divino. Estudavam todas as constituições das cidades gregas para saber como o homem se organiza politicamente. Por fim, escreviam tratados sobre: poesia, leis, justiça, beleza, piedade, temperança, amizade, alma, deuses, etc.. Os mais 'adiantados' transformavam esses tratados em diálogos. Claro, com a supervisão Platão.
O hoje, se fossemos alunos de Platão, como seriam nossos estudos?

domingo, 24 de janeiro de 2016

1 aula para as turmas do colégio Porto Seguro


Antes de falarmos de filosofia eu queria falar sobre:
- quem eu sou e quem vocês são
- o que penso e o que vocês pensam ser filosofia
- o que penso e o que vocês pensam da educação

não sei se conseguiremos conversar sobre todas essas coisas, se não conseguirmos vamos pelo menos iniciá-las.
quanto ao primeiro ponto, ver postagem anterior:
http://www.umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2016/01/biografia-sintetico-do-robson-gabioneta.html
coisas que eu sei (ou um dia soube):
- eletricidade residencial
- projetos elétrico/arquitetônico/ar condicionado
- samba? (tocar, dançar, cantar)
- ler diálogos de Platão
- ler todos os textos de filosofia?
- sociologia?

sobre filosofia
http://www.umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2014/05/1-ano-do-do-barao-de-ataliba-nogueira-2.html
http://www.umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2015/04/itupeva-todas-as-turmas.html

sobre educação
http://www.umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2015/08/itupeva-aulas-do-comeco-de-agosto-todas.html
http://www.umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2014/07/problemas-decorrentes-da-educacao-para.html

temos uma burocracia para cumprir, nosso diretor me disse que a equipe de professores alemães está olhando as provas de ingressos nas universidades espalhadas pelo mundo para preparar um currículo mínimo de filosofia, enquanto isso, iremos trabalhar com o currículo antigo.
pois bem, para nos conhecermos, vou propor que em duplas, de preferência, um brasileiro(a) e um estrangeiro(a) traga na próxima aula as seguintes atividades:
- o resumo da aula anterior com duas perguntas cada
- da onde é sua família
- o que cada um da dupla sabe
a dupla deverá apresentar o texto para turma e me entregar o texto que deve ter no máximo uma folha frente e verso.

atividade extra:
substitua na música minha missão de João Nogueira a palavra 'canto' por 'aulas de filosofia'
https://www.youtube.com/watch?v=AXRacOFPET8
http://www.vagalume.com.br/joao-nogueira/minha-missao.html

para finalizar, como diz Sócrates e Leandro Karnal, eu pretendo transformar essa condição de professor e alunos para a condição da amizade.
https://www.youtube.com/watch?v=BdJ8CnyTHM4
https://www.youtube.com/watch?v=9RTF3ir8nnc



Biografia sintético do Robson Gabioneta

Biografia sintético do Robson Gabioneta

Concepção do ser ‘robson’
Sempre fui um curioso. Com esse impulso, soube que meus pais foram pessoas – conectadas as suas famílias oriundas do interior do Brasil – ela Minas Gerais, ele São Paulo – que vieram para São Paulo capital em busca de uma vida melhor. Conheceram-se e tinham em comum a vontade e a necessidade de construção de uma família. Assim, formou-se a família da qual eu e meus dois irmãos fazemos parte.

Ah, infância!
Passei a infância com minha mãe, até os 2 anos em São Paulo, e, a partir daí, em Campinas, no terreno onde moravam meus tios e primos – donos do imóvel – e meu avós e outros tios. Lembro-me de alguns conflitos familiares, mas também de muita brincadeira com os primos e as arvores frutíferas da minha tia, a dona do imóvel. Moramos nesta casa até eu completar 7 anos, quando fomos morar na casa que meus pais construíram, localizada no bairro dom Pedro II, perto do terminal ouro verde. A vida tornou-se um pouco diferente, já não estávamos entre parentes. Como irmão mais velho, tinha obrigações a cumprir, cuidar dos meus irmãos, levá-los a creche (localizada na frente de casa), cuidar da casa, e estudar. Minha mãe começou a trabalhar com mais frequência, assim, a cobrança do meu pai a ela começou a aumentar e minha participação nos conflitos também.
Sentia falta do meu pai que tentava suprir imitando-o. Ele era muito bom em matemática, em falar com os vizinhos, em ser responsável. Com essa motivação estudava muito matemática. Ao longo dos anos me destaquei nesta matéria. Nossa casa, naquele anos, estava em construção, assim a necessidade da continuidade da construção da mesma e das intermitentes reformas foi uma constante. Com minha curiosidade, eu estava presente sempre ajudando o pedreiro, nosso vizinho. Assim, pude aprender a manejar uma colher de pedreiro e outras ferramentas. 

Que adolescência?
Na adolescência, minha mãe, preocupada com nossa inserção no mercado de trabalho, me levou ao Patrulheiros de Campinas. Fiz a prova e iniciei o curso. Precisei com isso, estudar a noite, algo que me incomodou até o ingresso a faculdade. Fiz o curso e trabalhei em duas empresas: Ge: 4 meses e Construtora Mota Machado: 1 ano.
Ainda sob orientação ‘confusa’ da minha mãe, procurei o SENAI. Me interessei pelo curso de eletricista de manutenção. Fiz o curso e comecei a trabalhar. Durante o curso, soube do Cotuca. Nesta escola cursei eletroeletrônica. Trabalhei em algumas empresas, mas me senti mais a vontade ao trabalhar como desenhista de auto CAD em trabalhos de instalações residenciais e industriais. Minha curiosidade me fazia tentar entender tudo, assim, estudei um pouco de arquitetura. Neste processo ajudava engenheiros no que me era possível, principalmente nos projetos de ar condicionado.
Paralelamente a atuação profissional, era um rapaz com ‘necessidades espirituais’. Assim, fiz dos 10 aos 12 anos catecismo da igreja católica, e aos 15 a crisma. Terminado este último fui convidado a ser catequista. Algo que aceitei bom grado. Minha curiosidade me fez ler a bíblia, o catecismo da igreja católica e todos os livros que me chegaram. Minha preocupação inicial foi: ‘como ensinar a religião católica para os jovens?’, ‘como ensinar alguém a ser religioso?’ com essas questões me aproximei de amigos que estudavam psicologia e pedagogia. Nas conversas me falavam que tudo desembocava (ou partia) da filosofia. Acreditei nesse papo e fui me informar acerca do curso de filosofia.

A casa, o curso, o adulto
Descobri que a Unicamp oferecia este curso. O curso era integral e para cursá-lo precisava prestar o vestibular. Comecei, nas horas vagas, a estudar sem parar. Com isso, comecei a me afastar da comunidade que eu tanto amava. Aproximei-me porem de uma moça com quem, depois de algum tempo de relacionamento, aluguei uma casa em barão Geraldo para poder fazer o curso de filosofia. Esta moça possuía alguns anos a mais do que eu. Isso gerava conflitos inevitáveis. Transcorridos de 2 anos de convivência decidimos nos afastar. Amigos então me indicaram uma casa na moradia estudantil. Fui aceito e logo estava integrado.
Nessa época decidi tornar desenhista autônomo. Decisão que alterou minha relação com o trabalho e com os engenheiros. Tornei-me mais responsável, a exemplo do meu pai. Depois de alguns anos, decidi voltar a trabalhar dentro das empresas. Comecei a trabalhar numa empresa de ar condicionado, inicialmente fazendo projetos, e depois fazendo tudo que era necessário: vendas, acompanhamento de obra, notas fiscais. Percebi – algo que foi partilhado pelo eng. dono da empresa – que poderia contribuir  mais com o desenvolvimento da empresa se eu comprasse uma moto. Depois de alguns meses atualizei minha carteira de motorista e financiei uma moto. As distancias e os tempos modificaram-se. Tudo ficava mais curto e mais ágil, ainda que o perigo das estradas tornou-se constante. Rezava todos os dias ao sair de casa.
Trabalhei nesta empresa até 2008, pois precisava me formar. Assim, consegui na Unicamp uma bolsa para conseguir viver próximo a Unicamp. Consegui trabalhar no CPA (Centro do pensamento Antigo). Nesse centro organizava a cada 2 anos um colóquio, editorava uma revista e organizava as reuniões.
No que se refere a casa da moradia estudantil, pouco tempo depois da minha chegada a moradia estudantil, a Unicamp iniciou uma reforma no bloco onde morava, assim, alugamos uma casa próxima dali para morarmos. Éramos em 6, as vezes, 7, outras tantas 8.
Assim os anos de 2009 e 2010 foram anos de muito estudo. Precisava terminar as disciplinas da graduação, fazer uma monografia, e talvez, prestar o mestrado. Por causa do trabalho no CPA, comecei a acompanhar mais de perto o professor Hector Benoit, especialista em Platão. Logo me encantei com seus textos e suas aulas. Assim, decidi fazer uma monografia sob sua orientação. Estudei seus textos e fui lendo Platão sob sua interpretação. Um, ah que dia, estava eu na rede lendo um diálogo de Platão, Protágoras, quando o final me chamou a atenção: os personagens do diálogo, depois de algum tempo conversando, trocam de papeis. Fiquem algum tempo pensando no sentido disso: o que significa absorver algo que outra pessoa diz? Quando há absorção, aquele que repete o que o outro diz é ele mesmo ou é o outro? Com essas e outras questões voltei aos textos do Hector. Tentei entender as conexões que ele fez com outros textos. Pronto: já tinha uma pesquisa: investigar as relações entre Protágoras e Sócrates. Levei a proposta pro Hector que aceitou prontamente. Estudei bastante e depois de alguns meses tinha um texto para ser defendido. Defendi-o e preparei um projeto de mestrado também usando o Hector como referencia aos estudos platônicos. Tão logo ele foi aceito já tentei formar um grupo de estudos sobre Platão. Depois de algum tempo, formamos um grupo de discussão semanal. O grupo durou um ano. Formamos outro que durou 2 anos. Graças a ele pude escrever um texto que, ainda que deficitário, possui a característica de ser um texto autentico, um texto que dialogasse com o texto do Hector e – talvez seja pretensioso da minha parte - do Platão.
No ano de 2013 e 2014 lecionei filosofia em escolas estaduais de Campinas e no ano de 2015 comecei a lecionar filosofia para o ensino fundamental I em Itupeva.
A pedido de um amigo comecei, no ano de 2013, a escrever sobre introdução à filosofia para 'economistas'. Algo que vem me agradando.

Hoje, amanha...
Atualmente me dedico a algumas atividades:
- professor de filosofia em Itupeva - SP para o ensino fundamental I (crianças/adolescestes de 6 a 11 anos)
- professor do currículo B do Porto Seguro
- participo de um grupo de pesquisas sobre música brasileira
- pretendo retomar o grupo de leitura dos diálogos de Platão
- pretendo criar um grupo sobre o ensino de filosofia
- pretendo criar um grupo sobre o ensino de sociologia
- pretendo fazer um projeto de doutorado que verse sobre a introdução a filosofia a partir de Platão.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Itupeva - aulas do começo de agosto (todas as turmas)

sobre educação
Quando nascemos o mundo já existia, por isso, precisamos aprender das pessoas que organizaram esse mundo. Precisamos aprender: plantar, colher, cozinhar, costurar, construir casas e cuidar delas, coser e concertar as roupas, medicar, entre outras. Porém, em geral, não aprendemos essas coisas na escola. O que aprendermos então na escola? Aprendemos: português, matemática, geografia, história, ciência. Estudamos essas disciplinas pois com elas podemos aprender melhor: plantar, colher, etc. Assim, nos preparamos na escola para que a transmissão de conhecimento seja mais proveitosa. E a filosofia irá ajudar nesse processo.
Atividade
em grupo de 3 a 5 pessoas devem ser realizadas duas atividades:
- anteriormente, usando o que aprendemos com Sócrates, conversamos com os sábios da nossa época. Vamos socializar, partilhar, essas informação
- o grupo deve escolher uma disciplina e fazer o seguinte: liste o que já foi estudado este ano. Há conexões entre os conteúdos? Qual a utilidade de aprender essa disciplina para os sábios que eu conversei?

terça-feira, 28 de julho de 2015

aulas de final de julho - todas as turmas

a toninha (amiga da minha vó) me contou a história do Sócrates, um dos primeiros filósofos que conhecemos.

História do Sócrates
Sócrates foi acusado de não cumprir as leis da cidade. No tribunal ele explicou o motivo da acusação: "certo dia, um amigo foi até o oráculo e perguntou: "há em Atenas alguém mais sábio do que Sócrates?" A sacerdotisa respondeu: "não há". Quando ouvi isso comecei a procurar sábios para levar ao oráculo e mostrar a ele que eu não sou sábio. O 1º que falei foi um político. Quando conversei com ele, percebi que nem eu nem ele sabemos nada, porém eu sou mais sábio que ele pois eu sei que nada sei."

vamos fazer como Sócrates, vamos procurar sábios (pelo menos 3, pode ser pedreiro, médica, faxineiro, cozinheira, músico, mecânico, etc) e perguntar para eles como eles se tornaram sábios. Outras perguntas que iremos fazer: o que você faz ou fez que mostra que você é sábio? Com quem e como você aprendeu? Como você chama essa sua competência? O que eu tenho que fazer para aprendê-la? Qual a utilidade de aprender isso?
obs: não se satisfaça com a 1ª resposta, pergunte mais para aprender mais.

dois exercícios que iremos retomar nas próximas aulas:
2 - façam uma lista daquilo que vocês estudaram no semestre passado (1 e 2 bimestre)
3 - escreva a letra de 3 músicas e diga o que significa para você cada frase.


fonte: A história do julgamento do Sócrates é contado no diálogo Apologia de Platão. O trecho que estamos lendo é o 20e a 22e. Quem quiser comprar o livro e/ou lê-lo inteiro, será proveitoso, ele é um dos livros mais conhecidos da filosofia.