quinta-feira, 4 de maio de 2017

5 aula - Filosofia Medieval

Escolas helenísticas
Com Alexandre magno (o grande), diminui (ou acaba) a dicotomia cidadãos x bárbaros, pois o imperador trata a todos iguais[R1] , entendendo o mundo como uma grande polis, ideal cosmopolista
Cinismo: fundador Antistenes. Filósofo mais importante é Diógenes. Critica a convenções sociais e os bens materiais. Conversa entre Alexandre Magno e Diogenes: o que você quer? Que saia da minha frente para eu tomar sol. Placa em homenagem a ele: a vida basta a si mesma.
Epicurismo:  Epicuro. Lógica: verdadeiro x falso, só a sensação captam o ser das coisas, pois as coisas e o homem são feitos das mesmas coisas. Física: todo é formado de atómos e vazio. Ética: o prazer é o bem supremo que significa não dor no corpo e não perturbação da alma. Isso chamamos de Hedonismo. Receitas: não temer os deuses pois eles não interferem pela cólera, não ter medo da morte e da dor. Não buscar o bem em meios externos.
Estóicos: alcançamos a liberdade e a tranquilidade se abdicamos da tranquilidade material e conduzimos nossa vida pela razão e a virtude. Criticaram a pureza de sangre e a superioridade da nobreza.
Ceticismo: vem de eskepsis, exame, investigação. Pirron e Empirico. Suspender o juízo: diante de dois argumentos que defendem posições diferentes, não tenho condições de escolher entre um ou outro.


para ajudar, voces podem assistir os videos:

https://www.youtube.com/watch?v=VY2osqEbvfY&index=15&list=PL8PEFpPr13IjdUUstP-VgS84q_chQwCcp
https://www.youtube.com/watch?v=vjNZfQrOOZw&list=PL8PEFpPr13IjdUUstP-VgS84q_chQwCcp&index=16
https://www.youtube.com/watch?v=iTiPc1cv9OA&index=17&list=PL8PEFpPr13IjdUUstP-VgS84q_chQwCcp

https://www.youtube.com/watch?v=BnTOBXVkKio
https://www.youtube.com/watch?v=C2G_DpYCyuk
https://www.youtube.com/watch?v=DkIh1_Gk7r4

sobre a aula de revisão combinamos para o dia 13/05 das 14h as 16h, tudo bem?


terça-feira, 2 de maio de 2017

4 aula Proceu - 19/04 - Aristóteles

Aristóteles – 19/04

Daqui para frente o conteúdo da filosofia começará a ficar sequencial e um tanto mais complicado, por isso, é importante que vocês façam revisões regulares para não esquecer aquilo que já vimos. Vocês podem simplesmente ler os textos das aulas anteriores, mas também podem lê-los em voz alta e até caminhar lendo.
Hoje iremos ver alguns elementos da filosofia de Aristóteles.
Aristóteles foi aluno da Academia de Platão por 20 anos. Apesar de ser um dos destaques da escola, não assumiu o lugar de Platão quando este morreu. Por isso, abriu uma outra escola chamada Liceu. Aristóteles também foi tutor de Alexandre, O grande.
De Aristóteles para frente, em geral, os filósofos ou estarão preocupados com a política e/ou com o conhecimento (científico), e também com a religião (que não deixa de ser política).
Os textos que nos chegaram de Aristóteles são na sua maioria anotações de aula. É dito que ele, assim como Platão, escreveu em forma de diálogo, porém esses textos não chegaram até nós. Bom, Aristóteles revisou toda a filosofia anterior a ele, por isso é considerado o primeiro historiador da história da filosofia. Ele também inventou a lógica e também é considerado o precursor da ciência.
Aristóteles diz que a filosofia deve se ocupar de discutir os princípios de tudo. Para ele o primeiro princípio é o princípio da não-contradição (PNC). Esse princípio diz “o mesmo atributo não pode, ao mesmo tempo, pertencer e não pertencer ao mesmo sujeito com a relação à mesma coisa” (Aristóteles, Livro IV, cap. 3, 1005b 19 – 21). Outros dois princípios são conseqüência deste: princípio de identidade (PI) (uma coisa é idêntica a si mesmo) e princípio do terceiro excluído (PTE) (ou o sujeito tem um atributo ou tem o seu contrário, não há uma terceira opção). Com esses princípios podemos conhecer as coisas, isto é, podemos construir frases que falem sobre como as coisas são. Para que as frases com pretensão de conhecimento, elas precisam ter uma determinada forma, o silogismo. O silogismo é uma frase onde a conclusão decorre necessariamente de premissas. Por exemplo:
Todos os homens são mortais
Sócrates é homem
Logo, Sócrates é mortal
Geralmente isso é representado assim:

A é B
C é A
C é B
Ou
A                     B
C                     A
C                     B

Para conseguir identificar o sujeito (que tem substancia) Aristóteles se vale de dois recursos: as categorias e as quatro causas:
As categorias são duas: a substancia (essência, o que o ser é sendo) e os acidente (qualidade, quantidade, relação, ação realizada, ação sofrida, estado, tempo, lugar, posição).
As quatro causas são: material (do que uma coisa é feita); formal (qual a forma); motor (o autor da mudança) e a final (a finalidade da substancia). Ex: uma estátua de bronze tem como causa material o bronze, formal a figura da estátua, o motor o escultor, a finalidade para enfeitar uma praça ou representar algum importante.
Tudo isso tem relação com a linguagem ou com a epistemologia (teoria do conhecimento), também chamada de metafísica aristotélica. Vejamos algumas outras áreas.
Física: para Aristóteles todo o corpo tendo ao seu lugar natural, assim, cada um dos quatro elementos, agua, ar, fogo, terra, possui o seu lugar natural, assim, quando se tira essa substancia do seu lugar natural, ela naturalmente vai para esse lugar.
Política: para Aristóteles o homem é naturalmente um animal político, pois possui linguagem e portanto consegue distinguir o bom do mal.
Ética: entre outras coisas Aristóteles diz que ninguém pode se considerar virtuoso até o fim da vida, pois algo pode acontecer e mudar essa opinião. Diz que para conseguir a virtude é necessário identificar a mediania em cada situação, por exemplo: o corajoso precisa identifica o meio entre a audácia e a covardia. Do mesmo jeito para a prudência, a temperança, o pudor, a justiça.
Estética: Aristóteles escreveu um tratado sobre as poesias gregas, em especial, sobre as tragédias. O que ele descreveu sobre elas passou a ser por um certo tempo (e em alguns lugares ainda é) referencia de como deveria ser uma obra de arte (e também como tem que ser classificada, começando assim, algo que ficou conhecido como teoria literária). Basicamente ele qualifica as tragédias (a referencia é Édipo Rei) assim: a imitação do acontecimento tem que ocorrer em um dia, num único lugar e possuir uma só ação, tem que ter uma reviravolta na vida do herói (isto é, mudança de máximo de felicidade para o máximo de infelicidade, ou vice-versa), tem que haver catarse (isto é, purgação, eliminação do sentimento ‘ruim’). Outras informações ver: http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0589#notae
Vídeos:

terça-feira, 4 de abril de 2017

3 aula Proceu (05/04) - Platão

Platão – 05/04
Fizeram o dever de casa?
Perguntaram pelo saber dos sábios (aqueles que dizem saber ou as pessoas consideram que sabem) e pelo saber dos professores?
Cuidado, sair por ai perguntando tudo pode incomodar as pessoas.
Sobre Sócrates ver:
https://www.youtube.com/watch?v=SlJSF-V6yBA
https://www.youtube.com/watch?v=9RTF3ir8nnc
Hoje vamos estudar alguém que fez isso de maneira muito organizada.
Como eu disse, Platão viveu com Sócrates nos últimos 10 anos de sua vida. Quando Sócrates morreu, Platão viajou por 13 anos e quando voltou para Athenas, os amigos de Sócrates propuseram a ele a criação de um lugar para eles estudarem. Foi isso que aconteceu, Platão e os amigos de Sócrates fundaram a Academia.
Como e o que estudavam os alunos de Platão na sua academia?
Eles estudavam qual era a 'lógica' de Homero, Hesíodo, Simônides, Píndaro. Estudavam como os poetas pensavam, mas não só, faziam exercícios, como se eles próprios fossem poetas, para verificar se de fato tinham aprendido a lição. Estudavam todos os matemáticos. Estudavam todas as músicas da época para acompanhar as 'tendencias'. Estudavam todas as tragédias e comédias, e também compunham para mostrar ao mestre Eurípides. Estudavam a medicina para saber como funciona o corpo humano. Estudavam todas as religiões para saber como funciona a alma humana. Estudavam todas as constituições das cidades gregas para saber como o homem se organiza politicamente. Por fim, escreviam tratados sobre: poesia, leis, justiça, beleza, piedade, temperança, amizade, alma, deuses, etc. Os mais 'adiantados' escreviam diálogos junto com Platão.
E hoje? Se fossemos criar uma academia como a de Platão como faríamos?
Há algumas coisas que os vestibulares cobram que vocês saibam acerca do Platão:
·         Alegoria da Caverna – ver a postagem anterior
·         Teoria das ideias: elas são
o   Imutáveis
o   Em si e por si mesmas
o   O mundo sensível dependem delas
·         Imortalidade da alma: a alma é imortal e, antes de nascer viu as ideias
·         Reminicencia: por ter visto as ideias, a alma, para saber, precisa lembrar-se. Assim, conhecimento é recordação
·         Amor platônico: amor irrealizável, é amar a alma não o corpo

·         Maiêutico: é a forma de Sócrates conversar fazendo o outro produzir conhecimento sem acrescentar nada

República - Resumo

República de Platão a partir da introdução à República de Platão de Giovanni Casertano:
Livro I
  • O velho Céfalo conversa com Sócrates sobre as vantagens e desvantagens da velhice. Eles discutem como a riqueza pode ajudar ou atrapalhar a vida justa.
  • Céfalo diz que não se deve ficar em dívida com os deuses e com os homens. Sócrates o contrapõe dando um exemplo do louco para mostrar que nem sempre deve-se pagar uma dívida: um louco que te emprestou uma arma não deve tê-la de volta. Polemarco entra na conversa e diz que justiça é “fazer bem ao amigo e mal ao inimigo (327a-332b)”. Sócrates diz que é preciso discutir quem de fato é amigo, daquele que apenas se parece.
  • Trasímaco defini justiça como “’o útil do mais forte’, e por mais forte entende-se o governo que detém o poder numa cidade (332b-339b). Sócrates: o mais forte também pode enganar-se, por isso, obedecer-lhe pode significar prejuízo para ambos de modo a não fazer aquilo que lhe é útil.”
  • Trasímaco diz que como um artesão não erra também o governador não erra. Assim, cada técnica não visa a satisfação do executor, mas a perfeição daquilo que é executado.
  • O I livro termina com Sócrates defendendo que o homem justo é feliz e o injusto é infeliz.
Livro II
  • É preciso discutir o que é justiça. Gláucon diz que há três espécies de bens: “os que se desejam por si mesmos, como, por exemplo, a alegria e os prazeres que dão só alegria; os que se desejam quer por si mesmos, quer pelas vantagens que nos dão, como, por exemplo, a saúde e a inteligência; os que se desejam não por si mesmos, mas pelas vantagens que nos dão, como,  por exemplo, ser curados em caso de doença e exercer as atividades que dão riqueza material.” (p.15) A justiça está onde? Sócrates acha que é na segunda, Gláucon na terceira.
  • Adimanto diz que a maioria e os poetas pensam que ser justo é difícil e cansativo e por outro lado a injustiça é fácil e agradável, assim é melhor a injustiça mascarada do que a justiça. Sócrates pede para parar com a abstração e dizer qual o efeito da justiça e da injustiça.
  • Sócrates propõe que examinem a justiça num quadro maior: em vez de procurar a justiça no individuo, eles devem procurá-la na cidade. Nenhum homem basta-se a si mesmo. Suas necessidades são: comida, habitação e vestimenta. Cada cidadão pode (deve) fazer uma atividade.
  • Gláucon quer uma cidade mais rica, isso implica que teve haver outros tipos de pessoas. Sócrates diz que é preciso que haja guerreiros para guardar a cidade. Eles devem ser educados e entre eles, o melhor, deve ser filósofo e ter uma excelente educação. Este que será o melhor deverá aprender poesia, música, ginástica, retórica, enfim tudo.
  • Para educar esses homens é preciso que os poetas não falem mentiras e que os heróis não tenham vícios, apenas virtudes para que os melhores dos homens possam imitá-los.
Livro III
  • Para educar os guardiões na coragem é preciso eliminar da poesia aquilo que causa o medo da morte, bem como as representações dos heróis que choram, sofrem e mentem. Só os médicos e os governantes podem mentir, porém só deve fazer isso para o bem dos pacientes ou dos governados.
  • Há três formas de narrativas: o simples, a imitativa e a mista. Exemplos: 1ª poesia lírica; 2ª tragédias e comédias; 3ª poemas homéricos (também os próprios diálogos de Platão). Os guardiões só devem imitar homens virtuosos. “em suma, todos os artistas e os poetas devem imitar só o bem e o belo, e toda a educação se deverá adequar a um ideal de beleza, honestidade, harmonia e elegância, porque o fim último da educação musical é precisamente o amor pelo belo (396e-403c)” (p.18). Assim o poeta que não se adequar a essa exigência deve ser expulso da cidade.
  • Mito dos nascidos da terra: “a mãe terra deu à luz todos os homens de uma cidade, e que portanto são todos irmãos, mas os deuses misturaram ouro junto com a terra para a geração dos que têm disposição para defender a cidade, ou misturaram ferro e bronze para os agricultores e os artesões.” (p.19) aqueles que tem ouro ou prata são os guardiões da cidade e não devem ter propriedade privada. “a propriedade privada é causa de submissão, cria senhores e súditos, em vez de irmãos e aliados” (414b-417b)
Livro IV
  • Depois de Adimanto perguntar se aqueles que não possuem nada não serão infelizes, Sócrates diz que “o problema não é garantir a felicidade de uma só classe ou de um grupo de cidadãos, mas garantir a felicidade de toda a cidade no seu conjunto, e, portanto, de todos os cidadãos.” (p.20) Na cidade não deve ter os muitos ricos nem os muito pobres: “a sabedoria é a virtude típica dos guardiões que têm o dever de governar; a coragem é a virtude típica dos guardiões que têm o dever de defender a cidade dos perigos externos e internos...; a temperança é a virtude típica dos agricultores e dos artesãos, mas deve pertencer também às outras duas classes.” (p.20) Enfim, a justiça “consiste em ‘fazer aquilo que lhe é próprio’, que significa cumprir o seu próprio dever específico na cidade.” (p.20) Volta-se para o indivíduo. Como a cidade, também o indivíduo tem três partes: uma parte racional, uma parte impulsiva e uma parte desiderativa. A partir dos 5 tipos de almas, há 5 tipos de constituição: o primeiro é a aristocracia.
Livro V
  • Sobre a comunidade dos amigos, Sócrates explica através de três ondas: “a primeira onda diz respeito à identidade de tarefas e de educação para o homem e para a mulher... a segunda onda diz respeito à comunhão de mulher e de filhos... a terceira onda diz respeito à possibilidade de os filósofos governarem a cidade, ou então de os governantes se tornarem verdadeiros filósofos” (p.22) o filósofo é o único que ama a verdade na sua totalidade e que é capaz de alcançar o verdadeiro conhecimento.
Livro VI
  • “portanto, é o filósofo que deve governar, porque é o único a conhecer as ideias, isto é, as realidades externas e sempre semelhantes a si mesmas; além disso deve amar a verdade, ser sincero, temperante, magnânimo, afável, ter facilidade para estudar e ter harmonia interior.” Adimanto discorda de Sócrates, os filósofos são inúteis a cidade e não participam dela. No final do diálogo “é dado o exemplo da linha: há duas espécies de entes, os do mundo visível, sensível, e os do mundo inteligível, que constituem os dois segmentos em que se divide esta linha... portanto há quatro tipos de objetos aos quais correspondem quatro atividades cognitivas: a imaginação, a crença, o pensamento dianoético e a intelecção. Os primeiros dois constituem o mundo da opinião, os outros dois, o mundo da ciência e da verdade (509c-511e)
Livro VII
  • Alegoria da caverna. Dentro de uma caverna há pessoas acorrentadas que ficam olhando para a parede de fundo e conversando sobre as imagens que são projetadas nessa parede. A projeção ocorre pois na entrada da caverna há fogueira que algumas pessoas usam para projetar objetos. De repente alguém é solto e sobe em direção a entrada da caverna, ele vê a fogueira e os objetos que são projetados, já fora da caverna vê os objetos a partir das suas projeções nos lagos, rios e espelhos. Depois olha os próprios objetos e depois olha o próprio sol. Depois esta pessoa volta a caverna e tenta explicar para os que ficaram lá o que ela viu. Há uma discussão pois quem saiu da caverna não consegue convencer quem está lá dentro de que eles discutem a partir das imagens.
  • O dialético é escolhido a partir das suas qualidades: firmeza, coragem, beleza, nobreza da alma, agudeza e facilidade na aprendizagem, tenacidade, boa memória, amor pelo trabalho. Educação do dialético: “até os vinte anos, irão aos cursos propedêuticos, sobretudo à base de ginástica; depois das ciências, por dez anos. Aos trinta anos, os melhores serão direcionados cuidadosamente para o estudo da dialética... dos trinta e cinco aos cinqüenta anos eles ‘voltarão à caverna’ e farão a experiência prática do governo da cidade. Aos cinqüenta anos, os melhores, governarão a cidade, dedicando o resto do tempo à filosofia.” (p.25)
Livro VIII
  • Volta-se a discussão sobre as outras 4 formas de governo: timocracia, oligarquia, democracia e tirania. “A timocracia é dominada por homens nos quais prevalece a parte impulsiva da sua alma. Quando o amor pelo dinheiro prevalece sobre todas as coisas, a cidade timocrática transforma-se em cidade oligárquica. Da cidade oligárquica passa-se para a cidade democrática, em geral, graças a uma revolta das classes mais pobres. O homem democrático caracteriza-se pelo prevalecer do elemento desiderativo da sua alma. A liberdade torna-se anarquia: prevalecem os desejos mais diversificados, não só aqueles ligados à necessidade da vida, mas também os mais supérfluos, e há a tendência geral em satisfazer por qualquer meio. Por conseguinte, domina a liberdade mais desenfreada e anárquica e esta é a causa da cidade democrática ser a cidade em que os homens são servos das próprias paixões... passa-se então para a cidade tirânica. Esta cidade nasce porque o povo escolhe um protetor contra os ricos sempre mais prepotentes... o tirano faz muitas promessas... para manter o povo sob controle, tem de conservar continuamente a cidade em estado de guerra... a conseqüência é que o povo, para se libertar da escravidão de outros homens livres, cai na pior escravidão: ser escravo de escravos.” (p.26-27)
Livro IX
  • “Em cada homem há uma espécie de desejos tremendos, desenfreados e contrários à lei, mas no homem sábio estes desejos são controlados pelas leis e pelos desejos melhores ajudados pela razão, enquanto que no tirano aqueles se impõem sem qualquer lei.... às três partes da alma correspondem três espécies diversas de prazeres: superioridade do filósofo e dos prazeres da parte racional, quando esta prevalece sobre as outras duas – há prazeres ligados à purificação das dores e prazeres que não purificam; prazeres puros e prazeres misturados às dores; superiores a todos os tipos de prazer são os prazeres do conhecimento próprios dos filósofos.” (p.28)
Livro X
  • “volta-se a discorrer sobre a poesia e a imitação, distinguindo três níveis de realidade: o das ideias, o dos objetos sensíveis e o das imitações. E dá-se o exemplo da cama: há a ideia de cama, há a cama sensível que é obra do carpinteiro e há a representação da cama feita pelo artista. O poeta e o pintor, portanto, são os imitadores da cama sensível: em geral a arte não imita as coisas que são como são, isto é, em si mesmas, as ideias das coisas, mas imita as coisas que são tal como aparecem ao artista, ou seja, as representações dos objetos. Logo, a arte é imitação da aparência e não da verdade e, por isso, está três vezes longe da verdadeira realidade.” (p.28) por isso a arte deve ser banida da cidade.
  • Mito do Er: “ele era um valoroso herói morto em batalha que, no 12° dia após a sua morte, ressuscitou e contou o que vira no Hades, isto é, no além. Contou que as almas, depois da morte, são submetidas a um julgamento e recebem, consoante o tipo de vida que tiveram, prêmios ou punições; penas particularmente graves estão previstas para os tiranos


quarta-feira, 22 de março de 2017

2 aula Proceu - pré-socráticos, sofistas e Sócrates

2 aula Proceu - pré-socráticos, sofistas e Sócrates

Fizeram o dever de casa?
Aqueles que fizeram pense e escrevam o seguinte: retire da história frases com valor universal, ideias que valham para todos.
Alguém teve medo de ouvir a história? De pensar que ela pode ser seu destino?
Eu também tive....
Os primeiros considerados filósofos fizeram mais ou menos isso. Eles ouviram os poetas e construíram frases que generalizam as histórias.
A primeira delas de Tales: a agua é o princípio de todas as coisas. Há outros que dizem que não é a agua, é o ar, ou o fogo, ou a terra, ou tudo junto, sendo que o amor permite à união e o ódio a dissociação. Faça uma pesquisa rápida sobre esses primeiros filósofos (também chamados de pré-socráticos)
Atenas, no século IV e V a.C., começou a ficar mais organizada e complexa, com assembleias e tribunais. Assim era preciso saber entender e falar sobre o que tinha acontecido e o que estava acontecendo. Assim houve a necessidade de professores. Esses professores ficaram sendo conhecidos como sofistas (ou seja, aqueles que possuem saber). Eles ensinavam a retórica, como se comportar socialmente, como falar em público, ensinavam a falar e a escrever, discutiam técnicas de agricultura e construção de navio, a organização das cidades, entre outras coisas. Os principais são: Protágoras, Górgias, Hípias.
Vamos fazer como os sofistas: procure dois sábios da nossa época e imagine que você irá nos ensinar o saber deles, observe e pergunte acerca deste saber.
Nesse contexto surge alguém que irá marcar a filosofia: Sócrates. Ele saiu pelas ruas de Atenas perguntando para as pessoas como elas tinham certeza daquilo que elas afirmavam. Um deles foram os sofistas, outros, foram alguns jovens eminentes (talvez o mais famoso deles foi Alcebíades). Porém Sócrates não escreveu nada. O que sabemos dele deve-se principalmente a Platão, Xenofonte e Aristófanes. Vamos fica no de Platão. Platão o descreve nos seus diálogos. Algumas das técnicas de Sócrates são:
·         Só sei que nada sei
·         Quem te ensinou isso? O que acontece comigo quando aprendo algo?
·         O que você fala sobre você mesmo? Como você se comporta?
·         O que é X?
Por questionar as pessoas Sócrates foi acusado de corromper a juventude e por inserir novos deuses na cidade. Ele foi julgado e condenado a tomar a cicuta (veneno), e por isso, morreu.
Isso aparece na Apologia (discurso de defesa) que Platão fez. Nesse texto Sócrates explica que um amigo, Querofonte foi até o oráculo e perguntou para ele se havia homem mais sábio do que Sócrates em Atenas, o oráculo respondeu que não. Sócrates, quando ficou sabendo disso, quis por a prova o que o deu disse e fui procurar um sábio. Quando achou um foi conversar com ele. Nessa conversa percebeu que nem ele nem o suposto sábio sabiam algo, porém ele sabia mais que este suposto sábio, pois Sócrates sabia que não sabia.


quinta-feira, 9 de março de 2017

1 aula cursinho da moradia - introdução e Grécia Antiga

Bem vindos a todos, sou Robson e irei estudar com vocês a filosofia. Irei dividir as aulas com o professor de Sociologia, então darei aula para vocês a cada 15 dias, mas podemos marcar de conversar alguns sábados. Espero que vocês tenham um bom ano e possam se preparar para o vestibular e /ou para aquisição de conhecimentos (sabedoria).
Dizem que a filosofia (amor pelo saber) nasceu na Grécia Antiga. Por estudamos esse povo. Algumas pessoas que estudaram os gregos (arqueólogos e historiadores) dizem que há alguns marcos históricos:
·         Sec. XVI a.C.: início da colonização
·         Sec. XII a.C.: guerra de Troia
·         Sec. VII/VIII a.C.: Homero termina as epopeias Ilíada e Odisseia
·         Sec. IV/V a.C.: invenção da escrita e auge da cidade de Atenas
Se a filosofia nasceu na Grécia (há quem discorde disso, por exemplo Enrique Dusseal: http://enriquedussel.com/Home_cas.html) precisamos perguntar o que eles tem de diferente de outros povos que permitiu que a filosofia surgisse. Bom responder essa pergunta não é fácil, talvez não consigamos (isso porque não mantemos os seus costumes) ... vamos então tentar conhecer um pouco esse lugar. O que temos são restos de cidade e textos. Os principais textos são: Ilíada e Odisseia de Homero; Teogonia e Trabalho e os Dias de Hesiodo; as tragédias; textos de Sofistas; textos de Filósofos. Faça uma pesquisa rápida.
Dizem também que a filosofia rompeu com o Mito (há quem não concorde).  Podemos conversar muito sobre os mitos, mas vamos falar sobre um aspecto. Para nos ajudar nisso converse com seus parentes e peça para eles contar-lhe uma história. Conversaremos sobre isso na próxima aula.
Voltando aos gregos, uma característica marcante de sua Mitologia (religião, lembrem-se que eles não entendiam religião como nós entendemos) é que a vida dos homens se mistura com a vida dos deuses, então um interfere na vida do outro. Os poetas (aedo e rapsodo) sãos os responsáveis por essas descrições. Acho que nos ajuda a entendemos eles se olhamos um pouco para o candomblé. (ver http://umaconversasobrefilosofia.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-candomble-por-reginaldo.html )
Bom vamos continuar a conversa na próxima aula, mas para adiantar um pouco, vamos dividir a filosofia em dois ramos:
1.       Política (discussão sobre a organização social)
2.       Epistemologia (discussão sobre o conhecimento da natureza)
Um terceiro seria algo que une os dois: o homem (a antropologia).
Quais as consequências para uma cidade quando seus políticos adotam uma filosofia que rompe com o pensamento mitológico?  

Quais as consequências para uma cidade quando seus políticos adotam uma filosofia que aceita com o pensamento mitológico?  

Introdução ao candomblé por Reginaldo Prandi

Contos e lendas afro-brasileiras: a criação do mundo. Reginaldo Prandi. Companhia das Letras, SP, 2007. Pag. 155 a 218. Apêndice: os deuses da mitologia afro-brasileira.

Introdução ao candomblé a partir do Apêndice.

Prandi fala dos deuses africanos (orixás) a partir do povo ioruba, hoje localizado na Nigéria e Benim.[1] Esse povo veio para o Brasil e trouxe consigo seus costumes, sua religião. Porém, esta religião recebeu vários nomes no Brasil: “candomblé na Bahia, xangô em Pernambuco, tambor-de-mina nagô no Maranhão, batuque no Rio Grande do Sul” (p.155). O candomblé do Rio de Janeiro quando uniu-se ao espiritismo da França gerou a Umbanda. Isto no inicio do sec. XX.
O povo ioruba acredita que os orixás (deuses) dividem entre si a administração do mundo. Como eles, foram politeístas: os antigos gregos, romanos e egípcios e também os povos pré-colombianos, como os incas, os maias, os zapotecas e os astecas. De modo diferente, o judaísmo e as religiões que se originam dele – o cristianismo e o islamismo – acreditam na existência de um único deus. Ainda que para os católicos os santos intercedem a deus pelos homens e, de certo modo, dividem a administração do mundo espiritual.
No Brasil os orixás do povo ioruba se misturaram com os santos católicos e com os orixás de outros povos africanos.
Os orixás são forças da natureza. Além dos orixás, o povo ioruba louvam também seus ancestrais que fundaram ou foram destaque na sua sociedade (como os santos para os católicos). Num determinado momento estas duas crenças se fundiram. Desse modo, as forças da natureza, o trovão, o mar, a terra, etc. “foram antropomorficados, isto é, adquiriram forma humana, e ganharam uma biografia mítica, sendo responsabilizados também por aspectos socioculturais” (p.164).
Num tempo remoto, os orixás habitavam a terra. A história do seu nascimento e de suas relações é chamada mitologia africana.
Na África eram muitos os orixás, no Brasil foram preservados cerca de 20. Xangô, rei da cidade de Oió, é orixá da justiça, é regido pelo trovão e o fogo. Sua esposa, Iansá, orixá do rio Níger, é regida pelo vento, raio e tempestade. Oxum, outra esposa de Xangô, domina o amor e a riqueza. Ogum cuida do trabalho e é patrono da caça e da agricultura. Oxaguiá inventou o pilão.
Os homens agradam os deuses oferecendo-lhes parte do que produzem para sobreviver, principalmente comida. Alguns animais são abatidos em oferenda aos orixás. Usualmente, a maior e a melhor parte da carne dos animais é consumida pelo grupo, representando a comunhão entre os deuses e os homens. Cada orixá tem suas preferências alimentares. Há os alimentos preferidos e os que não podem ser oferecidos. Por exemplo, Oxalá não come nada feito com azeite de dendê, enquanto Oxóssi não come mel.
Cada orixá tem sua função. Exu tem um papel especial. É mensageiro entre os homens e os deuses. Ele leva as oferendas e pedidos dos homens e traz os desígnios dos deuses. Nada acontece sem a autorização de Exu, por isso ele é sempre o primeiro a receber a oferenda.
O povo ioruba veio para o Brasil quando o catolicismo era a religião oficial. Assim, todos os habitantes do Brasil, inclusive os escravos, foram batizados e introduzidos aos rituais da Igreja Apostólica Romana. O povo vindo da África foi, com o tempo, fazendo paralelos entre os santos católicos e seus orixás. Isso foi chamado de sincretismo afro-brasileiro. Xangô foi identificado com São Jerônimo, Oxalá com Jesus Cristo, Iemanjá com Nossa Senhora, Nanã com Santana, mãe de Maria. Exu foi identificado com o Diabo.
É preciso ficar atento que essas correspondências não são idênticas, por exemplo, Exu não é o Diabo para o povo africano. Apenas as aproximações fizeram o povo fazer associações. Cada sistema religioso tem sua complexidade interna que só pode ser entendida com sua teologia e sua história.[2]
Outro paralelo que é possível ser feito é entre os orixás e os deuses grego, romanos e egípcios (todos eles antigos). Exu ocupa-se de tarefas similares as de Hermes, deus mensageiro dos gregos, e Mercúrio, que faz esta atividade no Olimpio romano. Xangô é o senhor da tempestade e da justiça, como Zeus, Júpiter e Amon, respectivamente deus grego, romano e egípcio.
Apesar das religiões e da organização social desses povos serem diferentes, as necessidades que precisam ser supridas para a boa sobrevivência da comunidade, possuem aspectos em comum.
Dentro do candomblé acredita-se que os homens e as mulheres herdam as características dos orixás que descendem. Na África o pai transmitia para seus filhos seu orixá. No Brasil, por causa da dispersão do povo africano, para saber qual o orixá que determinada pessoa é descendente é preciso consultar o oráculo. O sacerdote joga os búzios e identifica qual o orixá que rege aquela pessoa. Com a identificação do orixá que rege a pessoa, pode-se antever como é seu comportamento no dia-a-dia. Por exemplo, os filhos de Xangô normalmente são amantes do poder, os de Oxum são amorosos, os de Ogum gostam de trabalhos manuais, os de Oxalá são calmos.
Os devotos do candomblé acreditam que os homens e as mulheres vivem de modo grosseiro e imperfeito as histórias que os orixás viveram. Por isso, para entender nosso mundo é preciso saber a mitologia dos orixás.
O culto aos orixás é complexo e exige uma grande distribuição de tarefas. Os sacerdotes dos templos são a ialorixá, mãe de santo, quando esta for mulher, ou babalorixá, quando o pai de santo é homem. Eles recebem ajuda da mãe pequena ou do pai pequeno. Os filhos de santo, fieis da casa, permitem que os orixás se manifestem e dançam durante o ritual, são os iaôs. As mulheres que não entram em transe são as equetes. Elas cuidam das roupas e ornamentos sagrados. Os alabês são os homens que tocam os tambores e/ou outros instrumentos. O axogum cuida do sacrifício dos animais. O pejigã cuida do altar. Todos eles que são homens que não entram em transe são chamados ogãs. “Depois de cumprir obrigações rituais durante sete anos, os iaôs recebem o título de ebômi, que pode ser traduzido por minha irmã mais velho ou meu irmão mais velho” (p207), esses podem assumir tarefas dentro da celebração. Quem cuida da cozinha é a iabassê.
“Na África, o babalaô é o sacerdote encarregado de interpretar os desígnios dos orixás, diagnosticas doenças e identificar a origem dos mais diferentes males” (p.208). Ele faz isso pela consulta dos búzios.
O axé é a força dos orixás, a força da natureza. A mãe de santo ou o pai de santo, com os ritos, distribuem o axé para seus filhos de santo para que vivam em equilíbrio com os orixás e com a sociedade.
Os orixás africanos acompanham seu povo onde quer que eles estejam. Eles acolhem também outros povos que acreditam neles, mesmo os brancos, pardos, amarelos e mestiços das mais diversas origens. Afinal, como afirma as recentes descobertas da paleontologia, o homem teria surgido num lugar próximo a Ilê Ifé, na África, lugar onde a mando de Olorum os orixás criaram o mundo.
Como a cultura e a sociedade mudam, também os orixás mudam e acrescentam funções do seu domínio. Exu, por exemplo, é considerado orixá da internet.


Introdução ao candomblé
http://culturabrasil.cmais.com.br/programas/veredas/arquivo/ile-omolu-oxum-candomble


[1] Há diferenças entre os povos africanos e conseqüentemente diferem seus mitos.
[2] Pode-se pesquisar e depois comparar os principais rituais de cada religião: os de iniciação, os de passagem para vida adulta, os de casamentos, os de morte, os pedidos de alimentação, os de guerra, etc..