terça-feira, 23 de junho de 2020

Porphyrio - 2 bim. enem povos indígenas

Atividade das questões do ENEM do 2 bimestre acerca dos povos indígenas
Em dupla ou trio escolham 5 questões e façam o seguinte:
a) com suas palavras escreva a pergunta da questão
b) escreva o significado da principal palavra da pergunta
c) escreva o que o enunciado diz da pergunta
d) pesquisa no dicionario e na internet os possíveis sentidos das palavras que vocês não conhecem
e) caso tenham dúvidas anotem
f) aqueles que conseguirem, em cada uma das alternativas, a partir das etapas anteriores, diga o porquê de uma questão estar certa e uma outra estar errada (isso não será cobrado no 2 bimestre, mas quem quiser treinar pode)

segue um vídeo que fiz bimestre passado para ajudá-los nessa tarefa:

fonte: Questões do vestibular indígena da Unicamp de 2019.

1. Leia o texto a seguir, escrito por professores Guarani de São Paulo, e assinale a alternativa correta.
“Na nossa tradição tem muitas aves que não matamos porque nós respeitamos. Pois em determinadas ocasiões algumas aves trazem notícias. Essas notícias podem ser boas ou ruins. Uma destas aves é o beija-flor. Um beija-flor que entra na sua casa ou fica pairando em frente a sua porta certamente está anunciando uma visita bem interessante. O canto do bem-te-vi anuncia a vinda de uma criança, ou seja, anuncia gravidez. O tucano anuncia a chegada de chuva. Depois quando vai começando a parar a chuva, eles também cantam. Esses são alguns exemplos, mas o conhecimento guarani a respeito das aves é bem maior.” (ACIBRA e Pesquisadores Guarani da Tekoá Sapukai, Tekoa Sapukai Nhandeyvy re Nhanhangareko aguã. Brasília: FUNAI, 2016.)
De acordo com o texto, o povo Guarani acredita que
a) para que uma gravidez aconteça, tem que haver o canto do bem-te-vi.
b) muitos pássaros devem ser respeitados porque eles trazem notícias.
c) os pássaros só trazem boas notícias quando cantam perto de uma aldeia.
d) o canto do tucano provoca chuva e, quando ele canta de novo, a chuva para.

2. O texto a seguir foi retirado de um cartaz da campanha promovida pela FUNAI, em 2017, para combater o preconceito contra os povos indígenas. Leia-o e responda à pergunta: “Não há desenvolvimento que se perpetue sem meio ambiente preservado. Os saberes ecológicos indígenas, desenvolvidos geração a geração, são tecnologias essenciais para a proteção das matas, dos animais silvestres, dos mananciais de água, do solo e do subsolo. O índio não atrapalha o desenvolvimento. Como guardião da biodiversidade, gera condições para que ele aconteça. A um só tempo, o índio torna possível a preservação e o desenvolvimento.” Qual das ideias preconceituosas abaixo o texto procura combater?
a) “Eu queria ser índio também... ele é visto como ‘coitadinho’ e ainda tem terra de graça!”
b) “Não tem mais índios de verdade, essa é a grande questão... esses que estão aí são todos falsos!”
c) “O Brasil precisa progredir... e os índios são um obstáculo ao desenvolvimento do país!”
d) “Nada contra os índios, mas eles são muito preguiçosos, não gostam de trabalhar!”

3. (1) Invasão de propriedade
Projetos de lei que tramitam no Congresso pretendem endurecer as regras contra as invasões de propriedades rurais no Brasil. Pelas propostas, as invasões vão ser classificadas como terrorismo, com pena de até 30 anos de prisão e uso imediato da força policial.
(Disponível em https://canalrural.uol.com.br/noticias.)
(2)

(Disponível em https://www.pinterest.es.)
Considerando o que se afirma no texto (1), as perguntas feitas pela menina indígena no texto (2) revelam
a) a sua surpresa com o fato de que o Congresso brasileiro vai, finalmente, se preocupar com as terras indígenas.
b) a contradição demonstrada pelo Estado brasileiro no que se refere à questão da ocupação de terras.
c) o interesse dos políticos brasileiros em zelar pelo direito de todos os cidadãos do país à propriedade.
d) a sua esperança de que também os invasores de terras indígenas venham a ser considerados terroristas.

4. Nos últimos anos, cientistas, indígenas e agricultores têm observado o alarmante desaparecimento de algumas espécies de polinizadores. Esse fenômeno é associado à mudança do uso do solo, à monocultura, ao uso de pesticidas, à poluição ambiental e às mudanças climáticas. Segundo estudos recentes, 75% dos cultivos de alimentos no mundo dependem da existência de polinizadores. O apoio a práticas tradicionais de rotação de cultivo, a conservação de ambientes naturais e a redução do uso de pesticidas são sugestões do relatório para aumentar a proteção dos polinizadores.
(Adaptado de Agência EFE, “ONU alerta sobre o desaparecimento de polinizadores e pede medidas urgentes”, Revista Globo Rural, 26/02/2016.). Os polinizadores ajudam
a) na fertilização das plantas e no aumento da variabilidade genética das espécies vegetais porque são animais que transportam néctar de uma flor a outra. Os besouros são os principais polinizadores entre os insetos.
b) na proteção das plantas porque são animais que fazem a predação de outros insetos nocivos. Os principais polinizadores são as lagartas e as aranhas.
c) na fertilização das plantas e no aumento da variabilidade genética das espécies vegetais porque são animais que transportam pólen de uma flor a outra. As abelhas e as borboletas são os principais insetos polinizadores.
d) na dispersão de sementes porque são animais que se alimentam de flores das plantas. Os principais polinizadores são os pássaros e os mamíferos.


5. “No início, aqui no Brasil era só terra de índio. Não tinha nenhum branco. Meu avô e minha avó me contaram que lá onde hoje é a Praça da Sé [São Paulo, SP], existia uma grande aldeia Guarani. Era caminho para outras aldeias grandes, em Santos e São Vicente. Havia muitas aldeias nossas no litoral. Nossos antepassados plantavam mandioca, milho, batata-doce, amendoim amarelo, feijão de corda e muitos outros alimentos. Agora não plantamos porque os não índios acabaram com a nossa mata.” (José Fernandes Karai Poty Guarani). (Aldeias Guarani Mbya, 2006) José Fernandes Karai Poty Guarani, cacique e líder espiritual, relata as transformações históricas do território Guarani Mbya, bem como o vínculo deste povo com a terra, que, no caso dos Guarani, corresponde à região da Mata Atlântica. Assinale a afirmação correta sobre a Mata Atlântica.
a) É um bioma que ocorre de Nordeste a Sul do país e sofreu sucessivos impactos ambientais, desde a extração de pau-brasil, passando pelos ciclos da cana-de-açúcar, café, ouro e intensa urbanização.
b) Esse bioma ocorre de Leste a Oeste no Brasil, concentrando-se nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A principal ameaça à Mata Atlântica atualmente é a pecuária extensiva.
c) Os dois principais ecossistemas da Mata Atlântica são Floresta de Terra Firme e Floresta de Várzea, considerados de baixa biodiversidade em razão da antiga ocupação humana na região.
d) Com pequena variação de altitude, o bioma Mata Atlântica possui biodiversidade reduzida e homogeneidade florestal.

6. A guerra, o cativeiro e o sacrifício dos prisioneiros estavam na base das relações entre as aldeias tupi do Brasil pré-colonial. A dinâmica das relações (de conflitos ou de alianças) entre as unidades locais forneceu a chave do êxito – ou fracasso – dos europeus, na sua busca por controle sobre a população nativa.
(John Monteiro, 1994) Segundo o autor do texto,
a) a principal dificuldade dos colonizadores na tentativa de governar os povos indígenas era combater a prática de antropofagia.
b) os colonizadores obrigavam os povos indígenas a guerrearem entre si para, com isso, conseguir dominar as populações.
c) os grupos indígenas em combate, caso vencessem as batalhas, prendiam os colonizadores e os submetiam à escravidão.
d) o sucesso dos portugueses na colonização dependia da sua compreensão das afinidades e rivalidades entre os diferentes povos nativos.

7. “Eu acho que teve uma descoberta do Brasil pelos brancos em 1500, e depois uma descoberta do Brasil pelos índios na década de 1970 e 1980. Os índios descobriram que, apesar de eles serem simbolicamente os donos do Brasil, eles não têm lugar nenhum para viver nesse país. Terão que fazer esse lugar existir dia a dia. Não é uma conquista pronta e feita.” (Ailton Krenak, 2015) Considerando o texto de Ailton Krenak e seus conhecimentos sobre as terras indígenas, assinale a alternativa correta.
a) Os índios organizaram-se num movimento nacional, no século XX, para reivindicar seu direito à terra.
b) Os índios são oficialmente os proprietários das terras brasileiras, embora não possam habitar nelas.
c) As reivindicações indígenas pela terra não foram incluídas na Constituição de 1988.
d) As disputas por terras entre índios e brancos cessaram com a criação de novas reservas no século XXI.

8. A maior parte das Terras Indígenas no Brasil encontra-se na Amazônia Legal. Essa região concentra 98,25% da extensão de todas as Terras Indígenas do país. O restante, 1,75%, espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O que explica essa concentração de Terras Indígenas em uma única região do país? Assinale a alternativa correta.
a) É a região de origem de todas as populações indígenas do país. Desde o começo da colonização elas têm vivido unicamente nesse espaço.
b) É a única região que oferece extensão de terras suficiente para acomodar as populações indígenas de todo o país.
c) É a região que se tornou historicamente um espaço de refúgio, abrigando as populações indígenas sob pressão da colonização nas outras regiões do país.
d) É a região que atraiu a migração indígena das demais regiões do país em busca de ouro, diamantes e outras riquezas.

questões do vestibular da unicamp em 2020
questão 5
Turismo em Terras Indígenas Mais do que a possibilidade de visitar belezas naturais intocadas, o turista em uma terra indígena tem a oportunidade de entrar em contato com línguas, narrativas, conhecimentos e comidas da comunidade, algo antes restrito a populações originárias e a uma pequena parcela de não indígenas. Esse intercâmbio gera ainda outros desdobramentos, como afirma o Coordenador-Geral de
Etnodesenvolvimento da Funai, Juan Scalia. “O turismo de base comunitária em terras indígenas fortalece a autonomia dos povos, propiciando uma alternativa de geração de renda com mínimos impactos ambientais e com uma distribuição mais justa dos lucros da atividade. Valorizar os diversos atrativos ecológicos e culturais, por outro lado, também contribui para a proteção dos territórios e fortalecimento das tradições”, afirmou.
(Disponível em http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/5224-etnoturismo-ealternativa-sustentavel-de-renda-para-comunidades-indigenas-do-rio-negro.)
Segundo o texto, o turismo em terras indígenas
a) constitui a principal fonte de renda da comunidade em questão.
b) é útil para a divulgação respeitosa das especificidades culturais da comunidade.
c) favorece alianças entre as comunidades e as agências de turismo envolvidas.
d) provoca, inevitavelmente, impactos ambientais sérios e indesejáveis.

O trecho a seguir se refere às questões 8 e 9. Ele foi
retirado de um texto de Ailton Krenak publicado em 1992.
"Alguns anos atrás, quando vi o quanto a ciência dos brancos estava desenvolvida, com seus aviões, máquinas, computadores, mísseis, fiquei um pouco assustado. Comecei a duvidar que a tradição do meu povo, que a memória ancestral do meu povo, pudesse sobreviver num mundo dominado pela tecnologia. E pensei que nossa cultura, os nossos valores, fossem muito frágeis para subsistir num mundo prático onde os homens organizam
seu poder e submetem a natureza, derrubam as montanhas. Onde um homem olha uma montanha e calcula quantos milhões de toneladas de cassiterita, de bauxita, de ouro ela pode ter. Enquanto meu avô, meus primos olham aquela montanha e veem o humor da
montanha e veem se ela está triste, feliz ou ameaçadora e fazem cerimônia para ela.
(Adaptado de Ailton Krenak, “Antes o mundo não existia”, em Adauto Novaes (org.), Tempo e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 202-203.)
QUESTÃO 8. O autor duvidou da sobrevivência das tradições do seu povo porque
a) as culturas dos povos indígenas são frágeis e não consideram relações de poder.
b) a memória ancestral indígena não se compara com a capacidade dos computadores.
c) os indígenas não sabem calcular a quantidade de minério e de ouro de uma montanha.
d) achou que a sua cultura iria sucumbir à ciência e às tecnologias não indígenas.
QUESTÃO 9. Neste texto, Ailton Krenak apresenta dois entendimentos acerca do modo como a natureza é vista. Esses dois modos de ver a natureza são
a) díspares.
b) equivalentes.
c) convergentes.

d) similares. 

outras questões do vestibular indígena unicamp 2020
http://www2.comvest.unicamp.br/wp-content/uploads/2019/12/prova_ind%C3%ADgena_2020.pdf

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Mascarenhas - Balanço do 1 bimestre

Mascarenhas - Balanço do 1 bimestre

postagens no blog:
Introdução e minha trajetória
http://umaconversasobrefilosofia.blogspot.com/2020/03/musica-brasileira-no-mascarenhas.html
Sugestões de canais e vídeos diversos sobre música
http://umaconversasobrefilosofia.blogspot.com/2020/03/blog-post.html
aula 1
http://umaconversasobrefilosofia.blogspot.com/2020/03/musica-brasileira-no-mascarenhas-aula-1.html

Lives no faceboock
músicas minhas. 10/05 10:39
https://www.facebook.com/robson.gabioneta/videos/3193652390859784/?t=455
geral. 15/01 08:01
15/05 14:14
https://www.facebook.com/robson.gabioneta/videos/3206435166248173/?t=44
encontros com o fundo de quintal: 22/01 15:11 e 17:06
https://www.facebook.com/robson.gabioneta/videos/3206546236237066/?t=505

Música sertaneja: 29/05/2020 15:45

vídeos no youtube
Música em Roda - comentários iniciais para audição e acompanhamento musical

Música em Roda - Tamborim

Música em Roda - Calango e Partido Alto

Música em Roda - cavaco - Jorge Aragão

Música em Roda - Calango e Partido Alto

Música em Roda - Bongô - Jongo e Tambor de Crioula

Música em Roda - cavaco - Paulinho da viola

Música em Roda - violão - Paulinho da viola

Música em roda - Daniela Mercury - axé

Música em roda - Novos baianos

14 de maio




Porphyrio - Resumo do 1 bimestre e indicações para 2 bimestre

Porphyrio - Resumo do 1 bimestre e indicações para 2 bimestre

Resumidamente propus 3 atividades no 1 bimestre: 1. construção de frases universais e formulação de perguntas; 2. discussão de uma questão do enem; 3. pesquisa sobre algo da nossa sociedade. Todas elas iremos retomar no 2 bimestre, por isso, quem não conseguiu fazê-las, faça que considerarei na nota do 2 bimestre (mas do que a nota, me parece que essas atividades ajudaram na entrada de vocês no mundo que vivemos). No 2 bimestre estou propondo, em comprimento as leis 10.639/03 e 11.645/08, uma discussão sobre povos indígenas (e se der tempo, povos da diáspora africana) e Estado, tema fundamental para discutirmos as filosofias produzidas no Brasil.

vídeos das atividades do 1 bimestre
Construção de frases e formulação de perguntas
https://www.youtube.com/watch?v=o9v-4MIIfF0&t=13s
Sugestão para resolver questões do Enem
https://www.youtube.com/watch?v=KWgcPQPyyHU&t=3s
conhecer nossa sociedade
https://www.youtube.com/watch?v=50rgydSc5ZA

correção de atividades do 1 bimestre:
26/05 16:49
https://www.facebook.com/robson.gabioneta/videos/3210666642491692/?t=189
25/05 16:24
https://www.facebook.com/robson.gabioneta/videos/3209639899261033/?t=12
25/05 15:00
https://www.facebook.com/robson.gabioneta/videos/3209576545934035/?t=789




quarta-feira, 13 de maio de 2020

Porphyrio - Estado Moderno e povos indígenas – referencias

Porphyrio - Estado Moderno e povos indígenas – referencias


As leis 10.639/03 e 11.645/08 tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígenas. Muitas coisas são importantes acerca dessas leis, vamos discutir algumas delas. Primeiro porque essas duas histórias não apareciam no currículo escolar? Pois nosso currículo privilegia a história europeia. Uma outra questão que acho importante salientar é que esses povos, os africanos e os indígenas, são autossuficientes, ou seja, não precisam entrar no mundo moderno da circulação de mercadorias. Me parece que esse é um dos motivos do apagamento da sua história.
Vou colocar alguns links para nos ajudar na pesquisa sobre eles:
Daiara Tukano é uma das coordenadoras da rádio Yandê, rádio indígena. No min. 2:30 ela começa falando de como as mídias tradicionais possuem uma posição anti-indígenas, assim a rádio tem um papel de apresentar as demandas indígenas e acompanha-las no congresso nacional. Daiara Tukano no min. 6 fala algo muito importante sobre as lutas dos povos indígenas de todo o mundo: a luta contra a mineração, a luta pelo direito a terra, a luta por uma conciliação histórica com os Estados Nacionais, pelo fim da violência, pela manutenção e respeito das identidades (modos de vida: língua, costumes, espiritualidade).
Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169
https://pib.socioambiental.org/pt/Conven%C3%A7%C3%A3o_OIT_sobre_Povos_Ind%C3%ADgenas_e_Tribais_em_pa%C3%ADses_independentes_n%C2%BA._169


Em Abril de 2020, junto à programação do Abril Indígena, a Rádio Yandê, todos os dias de abril, fez lives sobre temas pertinentes aos indígenas. Vi alguns:

Indígenas na Universidade
Música Indígena
Línguas Indígenas
Cosmovisões, conhecimento e filosofia indígena

Outro vídeo produzido pelo Itaú Cultural é dos Paulinho e Irekran Payakan, pertencentes ao povo Kayapó. Eles falam como prefere ficar na floresta e tem dificuldade de ficar na cidade. Os deuses são a natureza: terra, rios, animais. Quando saiu da aldeia começou a se preocupar com o desmatamento. Os Kayapó estão vendo o povo acabando com o mundo, então ele e outras lideranças viajaram para muitas cidades do mundo pedindo ajuda para preservar a natureza. Ele não disse nessas conversas, mas agora ele fala: vocês que estão bancando essa destruição. Lutou pelos direitos indígenas da constituição de 1989. Até a década de 90 conseguíamos conversar, mas hoje [2018] o que se chama democracia é pimenta de spray na cara.
outros vídeos e podcast do Itaú Cultural

Daniel Munduruku depois de 1h40min. Fala sobre o apelido índio dado pelos portugueses dado aquele que estavam no Brasil. A partir da dec. 70 os povos originários usam os termos indígenas para se referir a união desses povos contra a violência do Estado.

Ailton Krenak
Ainton Krenak, liderança indígena e prof. da UFJF, na palestra que deu na abertura do III Simpósio Internacional Repensando Mitos Contemporâneos (a partir do min. 28) fala algumas coisas acerca da arte: 31min. Com a arte (dança e canto) o povo indígena suspende o céu. 35min. quando dançamos chamamos nossos antepassados para estar conosco.  47min. vivemos num tempo de guerra de narrativas, por isso é preciso ouvir e criticar as histórias e os mitos que nos contam. Um deles (dito do início) é que as fronteiras são naturais. Para ele não deve haver fronteiras e um dos papeis da arte é acabar com as fronteiras. Outro mito, contado ao Levi-Strauss, é que os índios foram instintos. 1h 03min. ele conta a história da inquisição no Brasil, quando líderes indígenas foram presos e mortos na Europa.
outros vídeos
textos do Ailton Krenak


Indígenas e Lama Padma Samten

Encontro com Lideranças Indígenas | Lama Samten, Kaká Werá, José Cirilo, André Benites
Encontro Budismo e Povos da Terra: Cosmovisões e Possibilidades

VIII Colóquio Internacional sobre Filosofia Oriental da Unicamp
Mesa Redonda - As linguagens da Natureza
Mesa redonda  - Os espíritos da floresta

Resenha que fiz do texto do Gersem Baniwa sobre educação indígena no alto rio negro

fala de um amigo, Kayrá Sabuka sobre as arvores sagradas

outro amigo, Cauã Wirapayé

Primeira Universidade Indígena do Brasil - UNIVERSIDADE PAITER A SOEITXAWE

Raoni Metuktire - coronavírus

outras indicações

discussão inicial sobre os povos indígenas e o Estado




Porphyrio - Discussão preliminar Estado Moderno e povos indígenas

Discussão preliminar Estado Moderno e povos indígenas
Gersem José dos Santos Luciano (do povo baniwa) na tese ‘EDUCAÇÃO PARA MANEJO E DOMESTICAÇÃO DO MUNDO ENTRE A ESCOLA IDEAL E A ESCOLA REAL Os dilemas da educação escolar indígena no Alto Rio Negro’ conclui: os povos indígenas querem conhecer o mundo moderno e manter a sua tradição. Assim o Estado não pode impedir que esses povos mantenham seus costumes. Só que o Estado não é capaz de aprender as tradições, assim o Estado precisa ajudar esses povos a manter suas tradições.

Eduardo Viveiros de Castro em ‘O mármore e a murta: sobre a inconstância da alma selvagem’ apresenta uma ideia interessante: na verdade foram os indígenas que catequizaram os europeus e não o contrário. 

Curso sobre relações internacionais dado na USP por Peter Demant. Nesse curso Peter fala algumas coisas importantes: as civilizações da Europa/Ásia/África guerreiam a muito tempo, em geral as civilizações agrícolas são invadidas por outras que querem seu território e/ou seu trabalho. De um certo modo era necessária uma grande organização, seja para se proteger seja para atacar outro povo. Essa organização recebeu muitos nomes: Império, Reino, Estado. É importante lembrar também que os povos vão se interagindo, seja por trocas, seja por casamentos, encontros, festividades.  


passando para o mundo moderno:
Em história estudamos aquilo que mudou de um período para outro, porém essas mudanças sempre ocorrem num longo período e além disso, muitas coisas de um período antigo acabam sendo absorvidas num novo período. Um exemplo é a mudança da monarquia para a república no sec. XVII na França. Nos livros didáticos, as vezes parece que a mudança foi total. Não nos parece, assim os reis e seus nobres possuíam uma estrutura de organização do Estado que se mantiveram depois da Revolução Francesa. Mas a Rev. Francesa modificou os reinos: os nobres e a igreja perderam momentaneamente seus poderes. Fixou-se ali a ideia de um documento que fosse capaz de limitar o poder do Estado com a declaração dos direitos do homem e do cidadão. Esse documento foi aprimorado gerando os Direitos humanos. Código supostamente universal que pretende garantir os direitos de todas as pessoas.

A ideias da rev. Francesa influenciaram a independência nas Américas, em especial no EUA e no Haiti.
um outro evento significativo é a revolução industrial. Ela consiste numa organização complexa de um determinado local para produção de produtos. Assim começa uma articulação entre o Estado e o conhecimento científico. Ciência aqui é a aplicação de conhecimentos da Física para produção de produtos, inicialmente roupas, mas também o conhecimento das máquinas que permite uma maior produção, mecanismos de expulsão das populações do campo para trabalharem nessas cidades, controle populacional, controle da produção de alimentos para essa população.
Na história tradicional parece que a Europa sempre foi o centro do mundo e só ela tem o conhecimento científico. Dussel na política da libertação mostra que a Europa só conseguiu uma certa liderança mundial a partir da rev. Industrial, consolidando-se apenas em 1989. Por outro lado, todos os povos possuem suas escolas filosóficas e suas ciências.
resumo da história da filosofia política a partir do Enrique Dussel (são 4 vídeos que fiz em 2017)

Sobre a colonização europeia (na verdade invasão de territórios)
No livro ‘História dos índios no Brasil’ Manuela Carneiro Cunha, importante Antropóloga portuguesa, relata a expertise de um indígena Tupinambá do Maranhão que por volta de 1610 fala o seguinte para alguns franceses: “vi a chegada dos peró [portugueses] em Pernambuco e Potiú; e começaram eles como vós, franceses, fazeis agora. De início, os peró não faziam senão traficar sem pretenderem fixar residência [...] mais tarde, disseram que nos deveríamos acostumar a eles e que precisavam construir fortalezas, para se defenderem, e cidades para morarem conosco [...] mais tarde afirmaram que nem eles nem os paí [padres] podiam viver sem escravos para os servirem e por eles trabalharem. Mas não satisfeitos com os escravos capturados na guerra, quiseram também os filhos dos nossos e acabaram escravizando toda a nação [...]” (pg.15)

O raciocínio é o seguinte: o invasor vai se aproximando aos poucos, vai estudando o território e cooptando lideranças locais, para finalmente se fixarem no território possibilitando que outros dos seus venham para esse local. Isso aconteceu em vários lugares, em especial aqui no Brasil e nos EUA. Outra tática é acirrar as disputas internas dos povos locais para que eles não oferecessem resistência na ocupação.
Assim, depois de ir invadindo o território a partir da construção de fortes e da apropriação dos conhecimentos locais, os europeus, usando a teologia cristã, irão apagar as origens desses conhecimentos e seus modos de vida, impondo-os o modo de vida urbano. E a escola auxilia nesse processo.
Em relação aos povos indígenas temos três tidos de desdobramentos: 1. Muitos morrem com o contato com os europeus; 2. Parte se integra (casamento, escravo); 3. Muitos fogem para dentro do território.
Viveiros e Castro e Manuela falam que muitos morreram no primeiro contato pois não possuíam anticorpos contra as bactérias e os vírus que os portugueses traziam.

O cristianismo foi importante nos processos de fixação do território. A igreja Católica filiou-se ao império romano em 313, modificando-o e sendo modificado por ele. Assim a Igreja passou a ser detentora de terras e, em contrapartida, passou a organizar as universidades. No sec. XV porém há um questionamento do seu funcionamento, gerando com isso a reforma protestante. Assim, na Europa, a criação dos Estados, com a justificativa da ciência moderna, tentou desqualificar o ensino da Igreja.
Segredos da vida Moderna:
Exemplos:
A partir da fala de um amigo, Raul Pinheiro: a fábrica da Samsung não permite que todos os conhecimentos venham para o Brasil
Marcio Cataia na palestra ‘Desigualdades territoriais e crise política no Brasil: tensões do século XXI’ mostra como na troca de governo em 2016, de Dilma para Temer, a divulgação de dados sobre o repasse de dinheiro para as prefeituras foi retirado das páginas do governo federal.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Porphyrio - 2 bimestre

para as turmas do Porphyrio da Paz - 1a,b,c,d,e,f,g

Gente estamos num momento muito difícil, ninguém sabe muito bem o que vai acontecer. Há algumas previsões a partir das experiencias de outras pandemias ou mesmo experiencia dessa pandemia em outros países.
É comum que as vezes ficamos tristes e chorosos e não queremos sair da nossa cama, mas se isso acontecer por alguns dias ou mesmo semanas, temos que ficar atentos. Se aconteceu isso com você ou com alguém da sua família, procure algum parente próximo, tio, tia, primo, prima, avó, avô, e converse com essa pessoa. Penso em aproveitar essa experiencia para conversar com vocês sobre o funcionamento do mundo.
Bom pedi para vocês três atividades no 1 bimestre: 1. criação de frases, conceitos, perguntas e junção de frases; 2. questões de filosofia antiga; e 3. pesquisa sobre algo da nossa sociedade. Vamos retomá-las. Antes porém, gostaria propor que estudássemos a filosofia dos povos que estavam aqui nas Américas quando os portugueses vieram e os povos que foram trazidos a força da África para o Brasil.  O que estou propondo está de acordo com as leis 10.639/03 e 11.645/08 tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígenas. Poderíamos inicialmente perguntar, porque apenas em 2003 e em 2008 essas leis foram criadas? como era antes?
Bom, vou postar algumas coisas para ajudar na pesquisa, mas fiquem a vontade para fazer suas próprias pesquisas.
Em relação aos povos indígenas proponho o seguinte em dupla ou trio (quem quiser pode fazer sozinho):

1. escolha uma comunidade indígena ainda existente (pode ser de algum amigo de vocês, ou parente, pode ser da região ou de outro lugar)
2. procure saber como se deu a relação desse povo com os povos europeus (nos últimos anos)
3. em relação ao modo de vida do europeu, chamado de modo civilizado ou modo de vida urbano, ou modo de vida moderno, quais as semelhanças e quais as diferenças em relação a esse povo
4. procure saber como esse povo planta algo e procure aprender para nos ensinar (pode ser árvore)
5. procure saber como esse povo cozinha

Depois prepare uma apresentação de 1 ou 2 páginas. Quem quiser pode gravar um vídeo de 1 a 3 minutos.

em breve postarei mais referencias, por enquanto segue algumas:
fala muito interessante do seu Paulinho e Irekran Payakan - Culturas indígenas (2018)

curta muito interessante: Abuela Grillo
compilação que fiz ano passado:

na última década a comunicação e o registro delas tem sido muito grande, tanto em forma de parceria como é o caso do Grupo Itaú Cultural, como de forma independente como é o caso da rádio Yande.
Vídeos do Grupo Itaú Cultural
Daiara Tukano – Culturas indígenas (2017) – parte 2/2
Ela fala da importância dos Indígenas documentária suas lutas, pois a imprensa brasileira é anti-indígena. Muitos povos do mundo inteiro vivem o que nos vivemos aqui: disputa por políticas internacionais, a luta pelo direito a terra, a luta contra a mineração, luta pela conciliação com o Estado.
outros vídeos e Podcasts

No mês de Abril deste ano, esta rádio fez várias lives com temas que preocupam os povos indígenas, vi alguns deles:
#ABRILINDIGENALIVE 7 - Indígenas na universidade

#ABRILINDIGENALIVE 18 - Cosmovisões, conhecimento e filosofia indígena

#ABRILINDIGENALIVE 19 - Dia do índio: a urgência da descolonização